Porto Alegre, 07 e 08 de agosto.
Sou fã do Rock feito no Rio Grande do Sul. Sempre curti, desde a infância lá nos oitenta, vendo o estouro dos Engenheiros, Nenhum de Nós, e descobrindo bandas sensacionais como DeFalla, TNT, e a minha predileta de todos os tempos, Os Cascavelletes, e mais outras trezenas de bandas com o passar dos anos. Essa tradição roqueira do Rio Grande do Sul sempre me chamou a atenção, queria muito conhecer Porto Alegre e ver qual é; logo tocar por lá virou uma espécie de ‘meta’, desde o primeiro ano da fluxo, antes disso até. Depois de alguns ‘quase’ nos últimos dois anos, eis que chegou o dia e partimos rumo à POA.
Se era a primeira vez no RS, também era a primeira vez num avião, o que não foi muito agradável, ninguém nessa banda ainda tinha voado e a coisa foi meio tensa, tensa e patética ao mesmo tempo, com um dos integrantes sendo alvo de olhares e piadas nesse vôo. Hahaha! Quem será, quem será? Lógico que pegamos um vôo mega promocional, e o aviãozinho por dentro mais parecia um ônibus da viação cometa, saculejou um monte (‘períodos de instabilidade’ dizia a voz do além), lembrei de estradas esburacadas… na verdade acho que essas conexões me deixavam mais tranqüilo, era melhor acreditar que estava num ônibus e havia buracos na estrada. Lembro de ter lido que os acentos do avião flutuam na água, foi inevitável não pensar merda quando avistei Porto Alegre, cercada pelo Rio Guaíba…
Chegamos em POA duas da tarde, ufa! E não chegamos sózinhos, chegou também aquela que nos acompanharia praticamente até nossos últimos minutos na cidade: a chuva!!! No aeroporto éramos aguardados pelo Ricardo da Laranja Freak, sujeito muito bacana, aliás, ele e Dna. Elô, gente finíssima. E dá-lhe chuva! Mas o clima-neura do avião já tava ficando pra trás, até o hino do Grêmio já era berrado naquela van! Faltou uma(s) cerveja(s), mas só fazia cinco minutos que estávamos lá, enfim, na sequência compramos umas latas de Polar e ficou tudo bem. Demos um tempo no estúdio Marquise 51 e fomos pra TVE, fazer o programa Radar, programa bem legal onde as bandas fazem um som ao vivo. Passamos o som, entramos no ar as seis da tarde para todo o Rio Grande do Sul, foi bem legal, tocamos quatro músicas, uma delas, “Meu Doce Obituário” tá no youtube confira!
Chuva, chuva, água que cai do céu! Não sei como, a bendita chuva deu um tempo por volta das dez da noite, quando tomávamos umas beras no Bambus. Chegamos no Garagem Hermética quase meia noite, e o povo começando a chegar também. O clima era bom, e tinha que ser, afinal era a nossa primeira vez em POA, ainda no Garagem - reduto histórico do underground porto alegrense - e abrindo para Os Replicantes! Isso sem falar que era o primeiro show de um ano em que tudo parecia dar errado… Bah!! Afudê, como dizem! Chegou nossa hora, “Boa noite Porto Alegreee!” e pau na máquina! Foi um baita show, subimos com fome de palco e sede de rock, o bar parou pra ver e aplaudiu a cada música, na terceira já tinha um povo se quebrando na beira do palco. Foda! Tocamos pouco mais de meia hora, lembro que logo após o término do show rolou ‘Hoje’ do Camisa de Vênus, deu um clima mais ímpar ainda a ocasião, difícil descrever aqui… nessas horas você vê muita coisa, se nem tudo é tão real, no mínimo vale a pena ver… é, eu tava pagando pra ver! Muita gente nos cumprimentando depois, comentários como: “bah, que show”, “banda tri boa”, e por aí vai. Pô, valeu a pena! O show do Replicantes depois foi ducaralho também, grande noite!
Sábado foi chuva e mais chuva sem parar, mas também teve um churrasco-galdério-pegada a tarde inteira, na casa do nosso amigo Maikel, baterista do Clã Mc Loud. Cai a noite e cai mais chuva, incrível, parecia que nunca mais iria parar de cair água, mas lá fomos nós pro Mutantes MC, esse sim um bar deveras underground! Além de nós, teriam ainda os shows do Clã Mc Loud e das meninas da Morgan Le Femme, mas essas não puderam se apresentar devido a um problema de saúde da vocalista. Infelizmente não teve um grande público nessa noite, talvez pela chuvarada, mas rolou o Rock assim mesmo. Após o ótimo show do Clã, nossa vez, e dessa vez o show completo, com direito a música nova e tudo. Tudo o quê? Tudo o que é típico num show nosso, som alto, pegada, pessoas e coisas caindo no palco, e ao final uma Jam com as representantes da Morgan lá presentes, Mick na Guitarra, Djum na bateria, tocamos Rock ‘n’ Roll do Led Zeppelin e Helter Skelter dos Beatles. Mais uma vez a noite foi bem divertida, pena que nesse show a voz do nosso vocalista tenha ido pro saco, o que impossibilitou a gravação de um programa na manhã seguinte, pra webradio EBTK (a fluxo não tocou, mas eu estive lá pra uma entrevista e poucos acordes).
E foi essa a nossa jornada na terra da bombacha e do chimarrão, (não comprei a cuia mas ganhei uma camiseta oficial do Grêmio, thanx Maikel!), valeu muito a pena, conhecemos figuras do naipe de Ruminig (esse é doente, muito engraçado!), Juliano Fraga, que agilizou esses shows pra nós (valeu!), Sandro (vulgo Piérre!), Mick, Djum e Gabe da Morgan, Srta. Bia Jones, Vivian da EBTK (brigadú!)… Enfim, abraço à todos os guris e gurias, colorados e gremistas, todos que fizeram parte dessa história. O passeio no Brique da Redenção ficou pra uma próxima e espero que essa seja em breve. Inté !
Hudson Antunes




